sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Governo espera que unidose esteja implementada em 2 meses


O secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, disse hoje que num prazo máximo de dois meses estará implementada a venda de medicamentos em unidose, na sequência do actual “processo negocial” com os parceiros, de quem tem sentido “abertura”.
A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) disse hoje à agência Lusa que nenhuma farmácia hospitalar ou de oficina em Portugal aderiu à venda de medicamentos em unidose, seis meses após a entrada em vigor da lei que a institui.
À margem da posse dos novos órgãos sociais da União das Misericórdias Portuguesas, cerimónia que decorreu em Lisboa, o governante lembrou que a “notícia que saiu hoje não é nova, já saiu há umas semanas e é no sentido de confirmar que não houve adesão voluntária das farmácias à unidose”.
“Não tendo acontecido, estamos a articular quer com os organismos internos do Ministério da Saúde, quer com a indústria, quer com a ANF (Associação Nacional de Farmácias) a implementação de facto da unidose”, afirmou.
Óscar Gaspar espera dar novidades a “breve trecho”, "num prazo máximo de dois meses”.

Sublinhando que nunca usou a palavra obrigatória, o secretário de Estado afirmou “não fazer sentido haver uma medida só para dizer que estava no programa do Governo”.
“Queremos ter uma medida que resulte, ou seja, que torne o acesso dos cidadãos aos medicamentos mais eficaz e adequado e que haja uma redução do desperdício”, argumentou.
Recordou a existência de um diploma legal que permite a unidose, pelo que agora o necessário é “operacionalizá-lo”.
“Em diálogo vamos fazê-lo (com os parceiros) nos próximos dois meses. Não é uma questão de convencer, porque os parceiros sabem que é uma convicção do Governo, que a quer implementar e queremos fazê-lo da melhor forma possível”, acrescentou.
Óscar Gaspar referiu, também, que quer da parte da indústria, via APIFARMA, quer pela APF tem sentido uma “grande abertura” para se chegar “à melhor forma de se operacionalizar a questão”.

Questionado se a unidose nunca poderá ser imposta, o governante respondeu: “Eu posso legislar que haja paz no Mundo, mas isso não é relevante, porque não faz sentido. O que faz sentido é trabalhar em conjunto para procurar as soluções”.
A dispensa de medicamentos em quantidade individualizada ficou restrita, nesta primeira fase, às farmácias da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo que manifestem, junto do Infarmed, vontade de aderir àquela dispensa.
Mas decorridos seis meses sobre a entrada em vigor da legislação, ”ainda nenhuma farmácia da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo manifestou, junto do Infarmed, vontade de aderir”, informou a Autoridade do Medicamento.
Para o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Maurício Barbosa, a venda de medicamentos em "unidose" não teve adesão da parte dos intervenientes no processo, da indústria às farmácias e aos médicos, por implicar uma mudança "drástica" em todo o circuito.

"Há um sistema organizado que não se altera por diploma. Tem de haver um circuito de medicamento para a unidose. É uma mudança drástica, absoluta", disse Maurício Barbosa. Lusa

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Rede de cuidados oncológicos prevê abrir mais respostas


A ministra da Saúde afirmou hoje que a rede nacional de cuidados oncológicos prevê «abrir mais respostas» e com «melhor qualidade» no Serviço Nacional de Saúde para o tratamento do cancro em Portugal.
O projecto de rede nacional de cuidados oncológicos, que está em discussão pública, estabelece, entre outros «requisitos mínimos», que as unidades só funcionarão se tiverem 500 novos casos por ano e só haverá serviço de Oncologia nos hospitais com pelo menos mil novos doentes por ano.
Questionada sobre o possível fecho de unidades que não reúnam «requisitos mínimos», a ministra Ana Jorge afirmou que «o que está no plano é abrir mais respostas no serviço para tratamento do cancro em Portugal», acrescentando «não só mais como de melhor qualidade». Lusa

Açores: Sistema de incentivos «atrai» 37 novos médicos


As unidades de saúde dos Açores vão ser reforçadas com 37 médicos recém-licenciados, ao abrigo de bolsas de incentivo atribuídas pelo Ministério da Saúde e pelo Governo Regional, revelou hoje Miguel Correia, secretário regional da Saúde.
«Das 40 vagas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, 37 foram providas e esperamos que, no futuro, venham cada vez mais médicos a usufruir deste tipo de apoios, em que os Açores foram pioneiros», afirmou Miguel Correia, em declarações à Lusa.
Deste grupo de 37 médicos, 20 já estão a efectuar o internato em várias unidades de saúde do arquipélago, enquanto os restantes 17 estão a fazer o internato no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tendo assumido o compromisso de vir para os Açores depois de concluírem a especialidade. Lusa

terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Sócrates amanhã no início das obras do hospital de Loures

O primeiro-ministro José Sócrates assiste terça-feira ao lançamento da primeira pedra do futuro hospital de Loures, construído num modelo público-privado e que em 2012 deverá servir 272 mil utentes de quatro concelhos de Lisboa.
Segundo os dados do Ministério da Saúde, o hospital irá abrir portas em 2012 para servir 272 mil pessoas residentes nos concelhos de Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço e Odivelas, representando um investimento de 135 milhões de euros.
O hospital terá várias valências, entre as quais uma área de diagnóstico, oncologia, unidade de dor e diálise, um serviço de urgência médico-cirúrgica e uma maternidade com capacidade para a realização de mais de três mil partos por ano. Lusa

Saúde: Maior orçamento não é sinónimo de melhoria do SNS

A ministra da Saúde, Ana Jorge, considera que um aumento do Orçamento para o Serviço Nacional de Saúde não é o principal factor para melhorar a organização e a prestação de cuidados de saúde.
Em entrevista à agência Lusa, Ana Jorge sublinhou que as principais questões da Saúde passam mais por «alterações do modelo organizativo do que pela necessidade de um grande orçamento».
A ministra defende, contudo, que «é preciso continuar o que foi feito no anterior Governo, e que talvez o aparecimento da gripe tenha perturbado um bocadinho, que é a exigência junto dos órgãos de gestão de rigor na gestão». Lusa

sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Taxas moderadoras de internamento e cirurgias terminam hoje

A partir de hoje os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixam de pagar as taxas moderadoras para internamento e cirurgias em ambulatório, segundo um diploma aprovado em Conselho de Ministros a 12 de Novembro passado.
Os partidos da oposição BE, PSD e CDS-PP apresentaram diplomas semelhantes, que foram aprovados seis dias depois, com a abstenção do PS, o partido do Governo.
O PCP ainda tentou revogar todas «as taxas moderadoras que não dependem da vontade dos utentes» do SNS, mas o seu projecto de lei foi chumbado pelo PS, PSD e CDS-PP. LUSA

quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Fundação Champalimaud aliará investigação a tratamentos


A área de cancro do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud que abrirá em Outubro de 2010 em Lisboa terá como missão principal aplicar os resultados da investigação aos doentes que ali serão também acompanhados.
O responsável pela área oncológica do Centro, Raghu Kalluri, explicou que parte do edifício será dedicada à prevenção e tratamento clínico.
«Inicialmente, o foco estará nas áreas do cancro da mama, do urológico, do reprodutivo, do pulmão e da pele», disse o cientista da Harvard Medical School, acrescentando que futuramente haverá expansão destas áreas. «A missão central é ter investigação com propensão para tratar os nossos doentes», resumiu. Segundo Kalluri, no centro, 50 por cento dos oncologistas serão médicos e a outra metade cientistas. Estes estarão concentrados na investigação básica, mas também na clínica.
Na clínica oncológica haverá especial atenção às metástases. A investigação será direccionada para decifrar os mecanismos moleculares e a genética que lhe está associada, com foco no diagnóstico, prevenção e tratamento.

Prestigiados investigadores, como Kalluri (da Beth Israel Deaconess Medical Center e da Harvard Medical School), Lyden (da Cornell University Weill College of Medicine, Nova Iorque) e Kang (da Universidade de Princeton) terão laboratórios no centro. Estes locais inicialmente servirão para treino de novos cientistas e para ajudar a organizar novos laboratórios de estudo de metástases.
Sublinhando que a principal missão do centro é «cuidar do paciente, a investigação e o ensino», o responsável espera que as três áreas se combinem numa efectiva estratégia para tratamento dos pacientes. «Tratar os nossos pacientes com cancro irá reflectir compaixão, inovação e comunicação efectiva. Ensinar e investigar são complementares no nosso esforço de tratamento efectivo e esperamos começar este trabalho pouco depois da inauguração em Outubro de 2010», espera.

O novo centro vai abrir portas a 5 de Outubro do próximo ano, na zona ribeirinha de Pedrouços, Lisboa, e pretende ser um centro de excelência na área da investigação médica.
O fundador da Fundação Champalimaud, o empresário António Champalimaud, determinou no seu testamento os objectivos da instituição: apoiar a investigação de ponta nas Ciências Médicas, estimular descobertas que beneficiem as pessoas e apoiar a descoberta de novos padrões de conhecimento.
A presidente da Fundação Champalimaud diz que o «ponto crucial no avanço do conhecimento e domínio das doenças» é o contacto entre cientistas e clínicos, sendo esta a aposta do novo centro da instituição. A presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, explica que a actividade da instituição está «muito virada para traduzir conhecimento, conhecer mais o que não se conhece, mas sempre transferir esses conhecimentos que a ciência básica vai obtendo» para «melhor» prevenir e tratar doenças.

Leonor Beleza diz que através da sua experiência tem percebido que a «transferência de conhecimentos e o contacto entre cientistas e clínicos é um ponto crucial no avanço do conhecimento e domínio das doenças». Este é um modelo já usado no centro que a fundação tem na Índia e que Leonor Beleza quer repetir em Portugal.
«No mesmo local vão estar cientistas de áreas diferentes do conhecimento, com tipos de formação diferentes, e vão estar [também] clínicos a tratar pessoas», explicou. Os doentes também se aperceberão de que há laboratórios de investigação e, por outro lado, a partilha de um mesmo edifício permitirá aos cientistas verem os pacientes.
«Quem está mais dentro da Ciência Básica, certamente não quer que ninguém lhes conduza a investigação com certos objectivos. Mas eu gostaria que fossem mais sugestionáveis pela presença de doentes e pela necessidade de que os nossos conhecimentos se traduzam em melhorias», resume.

Leonor Beleza, ex-ministra da Saúde, sublinhou a importância da procura de resultados por parte da investigação científica porque «certamente» seria essa a vontade do fundador da fundação, o empresário António Champalimaud. «Os resultados são muito isso: os conhecimentos serem usados para sermos mais capazes de dominar as doenças e de permitir às pessoas viver mais tempo mas, mais importante, viver melhor, sobretudo, a parte final das vidas», diz.
Daí a atenção à área das neurociências no centro, cujo «domínio hoje está longíssimo de estar garantido». Lusa

Hospitais capazes contabilização «séria» mortes por acidente


A ministra da Saúde garantiu hoje que os hospitais têm capacidade para fazer uma contabilização “séria” das mortes resultantes de acidentes de viação nos 30 dias seguintes ao sinistro.
A partir de sexta-feira, as pessoas que morrerem nos hospitais até 30 dias após sofrerem um acidente de viação passam a ser contabilizadas como mortos nas estradas.
“Os hospitais têm capacidade, até porque eles têm o registo. É só a forma de saber mobilizar os dados”, disse Ana Jorge, em Portimão, à margem da cerimónia da entrega de 13 viaturas para as equipas de Cuidados Continuados Integrados domiciliários do Algarve.
Posição contrária à da ministra da Saúde tem o presidente da Sociedade Portuguesa do Trauma que, em declarações à Agência Lusa, considerou que os hospitais não estão “minimamente preparados para uma contabilização séria” e defendeu a criação de um registo nacional do trauma.
Nelson Olim disse que esta nova forma de fazer a contabilização das vítimas mortais dos acidentes nas estradas, “há muito reivindicada, é boa”, mas considerou que "neste momento não existem as ferramentas necessárias para pôr o sistema a funcionar”.

Segundo aquele responsável, a contabilidade dos mortos até 30 dias após um acidente "é a mais correcta e a internacionalmente mais aceite", mas para ser calculada "obriga a que haja um registo nacional do trauma", base de dados que regista todos os passos dos doentes traumatizados que entram num hospital.
Para Ana Jorge, não são necessárias “grandes alterações naquilo que são os sistemas de informação existentes nos hospitais” portugueses e admitiu que “a rede de trauma, a ser estabelecida, tem mais a ver com a sobrevivência dos doentes do que propriamente com a contagem dos mortos”.
“Um registo não é para contar os mortos, obviamente. Será [antes um sistema] de facilitação de tratar os doentes ou pessoas que sofreram traumatismo devido aos acidentes de viação”, acrescentou. Lusa

quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Obesidade: Hospitais públicos farão 2.500 cirurgias em 2010


Os hospitais públicos portugueses vão realizar 2 500 cirurgias de tratamento da obesidade em 2010, para as quais os doentes vão esperar um máximo de nove meses, no âmbito de um programa lançado hoje pelo Ministério da Saúde.
O objectivo desta iniciativa é proporcionar aos doentes o acesso em «tempo adequado» à cirurgia com mais tempo de espera do país e reforçar o papel do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na resposta às necessidades de uma população de risco.
No final de 2008 havia 2 142 doentes inscritos para cirurgia, com uma mediana de tempo de espera de 15 meses, uma situação que não mudou significativamente em 2009.O Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade será aplicado em 19 hospitais públicos de todo o país, estando a ser preparada já a contratualização com algumas unidades de saúde privadas, depois de reconhecidas pela Direcção-Geral da Saúde, que darão resposta aos casos para os quais o SNS não tenha capacidade.
Durante a apresentação do programa, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, reforçou que "a ambição do SNS é dar resposta a pelo menos 75 por cento dos casos".

O ministério da Saúde pretende reduzir para nove meses o prazo máximo de marcação de cirurgia e para dois meses o limite para o doente ter uma consulta pré-operatória de avaliação multidisciplinar.
No âmbito deste programa, serão realizadas em hospitais públicos no próximo ano mais mil cirurgias de tratamento de obesidade do que as 1 500 que se realizavam até aqui, especificou a ministra da Saúde, Ana Jorge.
O financiamento associado à primeira fase do programa de tratamento cirúrgico nos hospitais públicos será de 9,6 milhões de euros.
Manuel Pizarro adiantou que o custo das cirurgias, incluindo a avaliação pré-operatória, será de 3 377 euros no caso da banda gástrica e de 4 295 euros no caso do "bypass".
Este valor não inclui o acompanhamento pós-cirúrgico, previsto no programa, com uma duração de três anos e que inclui um mínimo de duas consultas anuais.

Ana Jorge ressalvou, no entanto, que o problema da obesidade não se resolve só com cirurgia, mas sim com um programa de promoção de hábitos de vida saudáveis.
"A cirurgia intervém onde a prevenção não teve tempo de o fazer", afirmou, sublinhando que não cabe só aos nutricionistas este papel, mas sim a equipas multidisciplinares que devem acompanhar e prestar atenção aos hábitos alimentares desde a infância e até mesmo desde a gravidez das mães.
Questionada sobre a forma como os hospitais vão conseguir agora dar resposta a um problema para o qual demonstravam falta de capacidade, a ministra respondeu que esse problema não cabe ao SNS resolver.
"Foi feita a proposta aos hospitais. A forma como o aplicam é da responsabilidade dos próprios hospitais. Têm que encontrar a melhor forma de gerir com os recursos humanos e financeiros que têm", disse.

Em 2011, o programa de tratamento cirúrgico da obesidade será alvo de uma reavaliação e de reforço das medidas necessárias, referiram os governantes. Lusa

terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Administradores hospitalares criticam política orçamental


O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Pedro Lopes, classificou hoje de positivo o reforço de capital dos 15 hospitais públicos, embora sustente que não cria nem investimento nem valor.
«A utilização [desta verba] para despesas correntes não permanece e não se perpetua [nos hospitais], nem cria investimento e valor», criticou o dirigente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
O Governo reforçou em 70 milhões de euros o capital social de 15 hospitais públicos (EPE), para os ajudar a pagar parte das dívidas a fornecedores.
Os hospitais deverão chegar ao fim deste ano com uma dívida de cerca de mil milhões de euros, segundo refere a edição de hoje do jornal Diário Económico.
«Estes hospitais estão efectivamente com dificuldades de tesouraria, não têm capacidade financeira para pagar aos fornecedores, pelo que a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares vê com satisfação a adopção desta medida, mas alerta para o facto de se tratar de um reforço do capital estatutário», disse à agência Lusa o dirigente.

Neste sentido, Pedro Lopes considera que o reforço [em 70 milhões de euros] do capital social dos 15 hospitais públicos não deveria destinar-se ao pagamento de despesas correntes, isto é, a fornecedores, mas sim para despesas de investimento.
O secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, garantiu em declarações à imprensa que o montante agora avançado já estava previsto no Orçamento para 2009 e que, embora seja reduzido, é um recurso «disponível» que o Governo não quer desperdiçar.
Por seu turno, Pedro Lopes disse à Lusa que a verba em questão «é pouco significativa e não resolve muito».
«São verbas para reforço do capital social estatutário e, por isso, deveriam em teoria servir para investir, nomeadamente, na melhoria da qualidade dos serviços, e não para pagar despesas correntes a fornecedores, como o Governo a fazer», conclui. Lusa

Antissépticos podem tornar bactérias mais resistentes


Um estudo realizado por investigadores irlandeses, especializados no combate a infecções hospitalares, identificou que os antissépticos podem tornar as bactérias mais resistentes não só a estes produtos, mas também aos antibióticos.
Os cientistas da Universidade Nacional da Irlanda em Galway chegaram à esta conclusão após acrescentar quantidades crescentes de desinfectante a culturas em laboratório de pseudomonas aeruginosa, uma bactéria responsável por infecções nos hospitais.
Segundo o estudo, publicado na edição de Janeiro da revista Microbiology, a bactéria sobreviveu ao desinfectante e o seu ADN mudou para torná-la resistente aos antibióticos do tipo da ciprofloxacina, apesar não ter sido exposta a estes remédios.
Os desinfectantes são utilizados para limpar diferentes superfícies nos hospitais, com o objectivo de evitar a proliferação das bactérias.
Conforme o autor principal do estudo, Gérard Fleming, a elevadas concentrações não parece haver problema, mas «os resíduos de desinfectantes diluídos de forma incorrecta e que permanecem na superfície num hospital podem gerar o crescimento de bactérias resistentes aos antibióticos».

A ameaça para a saúde é grande, já que se as bactérias sobrevivem aos desinfectantes e contaminam um paciente, este será tratado com antibióticos resistentes às bactérias.
A pseudomonas aeruginosa é uma bactéria oportunista que ataca normalmente pessoas cujo sistema imunológico está debilitado, como doentes de fibrose cística e diabetes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, pelo menos 8,7% dos pacientes contraem infecções durante a hospitalização. LUSA

Hospitais: Governo disponibiliza 70 M€ para pagar dívidas


O Governo resolveu dar uma prenda de Natal aos hospitais, injectando 70 milhões de euros no reforço do capital social de 15 hospitais EPE, um esforço que visa o pagamento de dívidas dos estabelecimentos de saúde, segundo o Diário Económico desta segunda-feira.
Cada instituição vai receber entre um milhão e 9,4 milhões de euros. O despacho conjunto dos ministérios das Finanças e da Saúde foi assinado no dia 23 de Dezembro e é hoje publicado, com efeitos imediatos.
A verba estava contemplada no Orçamento do Estado para 2009, mais precisamente no capítulo 60 do Ministério das Finanças, onde estão previstos os aumentos de capital, diz o diário citando informação do secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar.
O objectivo da medida é ajudar os hospitais a pagar parte da dívida aos fornecedores. Segundo números já noticiados pelo jornal, os hospitais devem encerrar o ano com uma dívida superior a mil milhões de euros.

Com o Fundo de Apoio aos Pagamentos do Serviço Nacional de Saúde falido - dos 645,3 milhões de euros de capital, 643,5 milhões estão emprestados aos hospitais - este reforço evita que uma parte da dívida transite para 2010. LUSA

domingo, 27 de Dezembro de 2009

Vacinação já abrange todos os prioritários


A campanha de vacinação para a gripe A arrancou há dois meses e já abrange todos os grupos considerados prioritários, o que só deveria ocorrer em Janeiro. Segundo a ministra da Saúde, Ana Jorge, o facto de os adultos só precisarem de uma dose, quando inicialmente se previa que precisassem de duas, permitiu antecipar a vacinação do último grupo – que inclui as crianças até aos 12 anos – para a passada segunda-feira.
Sobre o eventual alargamento da vacinação a outros grupos, Ana Jorge responde que "só depois da vacinação das pessoas dos grupos A, B e C é que a comissão técnica de vacinação irá fazer a indicação de quem são os grupos prioritários". De acordo com os últimos dados da Direcção-Geral da Saúde, registaram-se em Portugal 58 mortes com H1N1.

Ana Jorge preocupada com saída de médicos para o privado


A ministra da Saúde, Ana Jorge, está preocupada com a saída dos profissionais de saúde do sistema público para o privado e afirma que vai trabalhar para aumentar o ânimo e a motivação dos funcionários do Serviço Nacional de Saúde.
«Preocupa-me um pouco a saída, principalmente porque há uma fatia de profissionais de grande experiência que estão a sair, profissionais que se formaram dentro do sistema público, que são os responsáveis pelos bons desempenhos e que são também os formadores» dos mais jovens, afirmou a ministra, em entrevista à Lusa.
«O que me preocupa não é o funcionamento, porque as respostas, quer em número, quer em qualidade, têm vindo a aumentar, mas acho que há um sentimento nos profissionais de um menor ânimo e de falta de motivação«, acrescentou. Lusa

terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Centros de saúde receberam muitas marcações de vacinação a crianças


A ministra da Saúde afirmou, esta terça-feira, que muitas pessoas ligaram para os centros de saúde para marcarem a vacinação contra a gripe A, depois de esta ter sido alargada às crianças até aos 12 anos.
«A informação que temos ainda é muita pequena mas houve muitas pessoas a ligarem para os centros de saúde para marcar a vacinação. A dose não é unitária, são frascos que dão para dez pessoas, nas crianças para 20, pois até aos dez anos é meia dose. Para podermos gerir bem, pede-se para [as pessoas] telefonarem e marcarem para o dia mais adequado», disse Ana Jorge. A vacinação das crianças até aos 12 anos, incluídas no grupo C e cuja vacinação estava prevista para Janeiro, foi antecipada e começou na segunda-feira. «Existiu a possibilidade de se vacinar o grupo C e antecipamos o grupo das crianças até aos 12 anos. O vírus veio para tomar conta de todos os [outros] vírus e, pelo que se sabe, praticamente todas as viroses são H1N1», acrescentou a ministra, após uma visita à Urgência Pediátrica e ao Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada. «Essa é a razão para que [a vacinação] seja feita para os grupos de risco e progressivamente se alargue a toda a população, pois o que se prevê é que a gripe do próximo Inverno seja H1N1 e com mais pessoas vacinadas a possibilidade se ter uma epidemia é menor», acrescentou. TSF