quinta-feira, 18 de junho de 2009

Emigração forçada

Boa noite a todos.
Após 3 meses a viver na Suiça chegou a altura de partilhar o que tem sido a vida de emigrante neste país dos Alpes como enfermeiro. Em primeiro lugar o título desta mensagem é mais do que uma simples provocação e corresponde de facto, ao sentimento de quem sómente se afastou de Portugal para viver e deixar de sobreviver, ou viver uma forma de escravatura laboral que a nossa condição de enfermeiro em Portugal nos obriga.
Após uma experiência profissional em Portugal, que muitos julgarão curta, foram muitos os motivos para começar a procurar além fronteiras a respostas aos problemas laborais, com que me deparei nestes 5 primeiros anos de profissão.
Durante o curso pensava poder viver trabalhando somente num sitio e continuar a investir calmamente na minha formação pessoal e na actualização dos meus conhecimentos, no entanto depois de começar a trabalhar, depressa compreendi que tal só seria possivel de duas formas, com o apoio dos pais ou a troco de muito sacrificio pessoal e perda de vida própria como me foi possivel observar na vida de muitos colegas. Para tirar um curso é preciso dinheiro e tempo, ora aqui se impôs o primeiro dilema. Para ter mais dinheiro é preciso trabalhar mais tendo então menos tempo, dado que formações em tempo de serviço tornaram-se uma miragem no nosso país. A vida de trabalhador em duplo e em triplo foram quase sempre uma constante nestes 5 anos deixando pouco tempo para qualquer outra actividade que não fosse a tentativa vã de recuperar do cansaço acumulado. Muitos ajuizam e acusam quem tem esta vida de querer ganhar tudo de uma vez, o que com ordenado de enfermeiro neste momento é ridiculo. Talvez seja antes o desejo de pagar uma casa em menos de 50 anos ou de ter uma vida que permita um pouco mais que trabalho e casa, o que com este ritmo de trabalho acaba por se impor.
Ordenados abaixo do nível de licenciado, congelamento das carreiras e remunerações, Horários feitos à medida de quem não sofre deles, sobrecarga de trabalho como resultado de uma subcontratação crónica de enfermeiros, um sistema de acesso as especialidades injusto e parcial, e um desrespeito pelos enfermeiros por parte dos empregadores e de quem os deveria defender, ditaram em mim um crescente descontentamento e frustração que me levaram a querer reagir. Em primeiro lugar, tentei o diálogo com a chefia e colegas mas o que encontrei foi um misto de resignação e aproveitamento da situação, pois nem para todos a situação actual é prejudicial. Tentei a participação activa num sindicato e encontrei um vazio. Pensei que o sindicalismo devesse ter uma intervenção próxima dos enfermeiros, dar um apoio diário e estar à escuta dos problemas que os enfermeiros vão enfrentando a cada dia. Em vez disso encontrei uma estrutura centralizada e inútil que chama à greve sempre que se exprime, banalizando e esvaziando de sentido esta forma de protesto. Queria ajudar e lutar junto dos colegas para que no dia a dia fossemos dando resposta aos problemas de cada um e em vez disso queriam que simplesmente distribuisse apelos à greve e fizesse piquetes onde faria a contagem da participação. Deixei por isso de acreditar nessa solução.
Sobre o representante máximo da nossa classe profissional e perante a qual terei de responder se cometer um erro, sem sombra de dúvida, fui deixando de acreditar no seu papel e na sua importância perante tanta indiferença demonstrada para com o simples enfermeiro que sou e que paga cotas. Quando coloquei frente a frente estas duas estruturas, estas duas formas de falar de enfermagem, o que vi é que a culpa de estarmos na situação actual morre só. A culpa é do outro, a questão é laboral ou então de ordem profissional mas no fim foi o outro que não fez o seu trabalho e nunca o próprio. Por esta altura já tinha entrado em contacto com uma empreza de colocação de enfermeiros na Suiça e a decisão estava tomada.
Vim para a Suiça e deixei todos estes problemas para traz. Aqui não ha sindicato, não ha ordem. No entanto trabalho 14 dias por mes, 12h por dia. O meu ordenado depois de descontos é 3 vezes superior ao que recebia em Portugal, a obtenção de uma especialidade é encorajada pela instituição que paga o curso de 2 anos com ordenado de especialista, a especialidade é feita em tempo de serviço durante o qual não se volta ao serviço, as formações são todas feitas em tempo de serviço, escolho as folgas que quero para poder visitar familiares e amigos uma vez por mes a Portugal. A minha remuneração aumenta todos os anos e não passa pela cabeça de ninguem tirar horas de qualidade, o ratio doente por enfermeiro em intensivos é no maximo de 2 para 1 se os doentes forem leves senão fecham camas.
A nossa formação em Portugal é muito boa e reconhecida cá mas em que altura começamos a perder todos os nossos direitos a uma vida digna e por que verdadeiro motivo a nossa profissão se encontra tão longe de oferecer estas condições a todos os enfermeiros em Portugal como seria normal. Falta de dinheiro? Pensei nessa hipotese ate descobrir que se fossemos banqueiros tal não seria um problema. Precisamos de forma urgente que se reconheça o direito a dignidade de todos os trabalhadores em portugal e o direito a uma vida digna deixando de nivelar por baixo toda a sociedade. No entanto não se preocupem pois aqui tambem se queixam das condições de trabalho mas não sou eu.

9 comentários:

Anónimo disse...

http://www.enfermeiros.pt/content/view/661/1/

Anónimo disse...

Realmente é de valor e de valorizar a coragem que o colega teve. Não se deixou corromper com a banalidade e o conformismo actual na enfermagem. Muitos parabéns pela coragem e aposte na formação e no seu curriculo profissional porque este grupo estaará sempre disponível para acolher pessoas com dinamismo e entusiasmo a fim de melhorar a enfermagem portuguesa. Contamos com o seu apoio, amizade e conhecimentos diferenciados para alcansarmos um futuro em Portugal mais digno e que todos sonhamos.
Abraço

joaot disse...

lausanne espera-me..

*estudante 3ºano

Anónimo disse...

O meu sonho é ser enfermeira e todas as pessoas com quem falo dizem que tenho perfil para isto... Mas estou preocupada com o meu futuro monetariamente e quando diz que o seu ordenado em suíça era 3 vezes superior significa que em portugal é assim tão baixo?

Power disse...

Caro amigo, vivo na Florida, US. A situacao de enfermagem e muito melhor do que a maioria dos paises atuais. Porem voce considerar US, voce tera que passar no exame NCLEX, e muitos do mundo nao conseguem compreender a materia. Cerca de voce, a Franca constata 47 aprovados, Espanha 14 e Portugal nao esta em minha lista de 63 paises. Aparentimente sua ensino em Portugal nao apresenta evidencias a nivel US. Felicidades, se necessitar ajuda, mnalin_ee@yahoo.com

Anónimo disse...

Gostaria de saber se tb se podem escolher os horários k se trabalham ou se é obrigatório fazer as tais 12h (se for assim na instituição em k se trabalha). Para quem tem filhos, trabalhar 12h inviabiliza a vida familiar, principalmente para famílias monoparentais. Qauntas horas se trabalham por semana?
É fácil arranjar creches? Obrigada por qq informação.

Boa sorte a todos

Dani

Lilian Lago disse...

Procuro enfermeira para genebra. Basta falar o portugues. Ordenado de acordo com o que se paga na suica. Para grande empresario que tem filho com diabete, controlada. Enviar cv para lilianisidoro@gmail.com tm +351963725629

Anónimo disse...

sei que esta publicação já tem anos, mas gostava de saber qual foi a agencia que te colocou na suiça. Tiraste algum cursou ou ja dominavas o idioma?

Cumprimentos

David Carvalho disse...

Bom dia,

estive a ler todos os comentários que colocaram aqui.

Neste momento trabalho para uma empresa de recrutamento. Já mediamos muitos Enfermeiros para Alemanha, e estão felizes juntamente com namorados, outros com família.

Existe neste momentos muitas vagas na Alemanha, os salários são convidativos, as condições de trabalho são excelentes.

Vou deixar o meu e-mail / contacto para quem estiver interessado: david.c@ppa-personal.com - 93 474 73 32 .

Existe oportunidade de emprego para Enfermeiros, Técnicos Auxiliares de Saúde e há a possibilidade de (caso for o caso) de poder levar o namorado/família para Alemanha. Nós apoiamos em tudo que estiver ao nosso alcance!


Desejo muita sorte no vosso percurso profissional!